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O Mercado Fitness no Brasil e suas oportunidades

Postado por: | 27/06/18 - às 01:49

O mercado fitness no Brasil é gigante, de maneira geral cresce acima de dois dígitos, mas ainda engatinha se comparado aos Estados Unidos, o maior […]

O mercado fitness no Brasil é gigante, de maneira geral cresce acima de dois dígitos, mas ainda engatinha se comparado aos Estados Unidos, o maior mercado do mundo. Olhar o líder mundial é um referencial, pois iniciaram seus esforços há muitos anos atrás. Em 1976 o mercado americano já era segmentado. A Rede de academias The Little Gym foi fundada em Arizona (EUA), para oferecer atividades físicas infantis como ginástica, karatê, kindermusic e outras. Em 1992 foi a Curves Fitness que inovou no Texas (EUA) criando um novo conceito de fitness de treinos de força e orientação para perda de peso em ambiente projetado para mulheres, tudo em 30 minutos de sessão. Essa foi mais uma segmentação de mercado que surgiu nos EUA e se expandiu por todo mundo, até os dias atuais.

Queima de gordura - Foto - Nutrinotícias

Tiramos a lição de que os americanos já começaram a segmentar seu mercado desde os ano 70 expandindo uma gama de serviços para diferentes públicos e finalidades. Isso fez do seu mercado o maior do mundo em números avassaladores de faturamento, próximos de USD 28 bilhões/ano, advindos da indústria do bem-estar. O faturamento no Brasil foi de USD 2,5 bilhões em 2017, segundo dados do IHRSA.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de academias do mundo, com aproximadamente 37.800. O Brasil vem logo em 2º lugar com 36.540. Considerando que a população americana, segundo o Banco Mundial, é de 325 milhões de pessoas e a do Brasil, segundo o IBGE, é pouco mais de 200 milhões, vemos a diferença de aproveitamento do mercado. Nos EUA, os 37.800 pontos de academia contemplam 60 milhões de matriculados e no Brasil os 36.540 matriculam 7 milhões de pessoas. Outro fator está nos milhares de produtos oferecidos no mercado e a desburocratização de certos ingredientes que no Brasil ainda não foram liberados. Há também um maior número de lojas especializadas; nos EUA aproximadamente 15 mil pontos de venda e no Brasil, em 2016 a ABENUTRI apontou em torno de 7 mil lojas.

O mercado é maduro também quando consideramos o percentual de pessoas que consomem algum tipo de suplemento. Nos EUA, 55% consomem algum produto da indústria de suplementos enquanto no Brasil o número é de singelos 7%. A discrepância de resultados nos faz crer que o Brasil é um mercado de proporções bilionárias para os próximos anos e ainda temos muito terreno à desbravar.

Paul Zane Pilzer é um economista, empresário, professor americano e autor de 7 livros de grande vendagem. Um de seus livros, o The New Wellness Revolution: Next Trillion Dollar publicado em 2007 já descrevia a indústria do bem-estar sendo a próxima a ultrapassar a cifra do trilhão de dólar. No livro, Paul cita que as pessoas estão se voltando ao bem-estar e, mais importante do que termos produtos para prevenir doenças, é termos uma distribuição de informações, a chamada distribuição intelectual. A informação gera riqueza e cria uma corrente de ajuda contínua entre as pessoas.

Baseado nos novos costumes das pessoas de todo mundo, entendemos que o Mercado Fitness deixa de ser somente fitness para se chamar Indústria do Bem-estar. Essa indústria engloba desde os equipamentos de academia, prática de diferentes modalidades esportivas, acessórios esportivos, prestação de serviços e oferta de produtos saudáveis, incluindo suplementos alimentares.

Se falarmos do mercado de suplementos alimentares no Brasil, um caminho de sucesso já foi e vem sendo percorrido com projeções de grande evolução. Nos últimos anos, diversas marcas nacionais e internacionais surgiram, mas devido ao momento de crise do país, dados da Euromonitor apontam as marcas nacionais crescendo 15% em 2017. Dada a diminuição do poder de compra do brasileiro, mudou-se o comportamento de compra e estimula-se um ticket médio menor de venda para consumir a mesma quantidade de itens. Marca importadas que comercializavam Whey Protein a R$ 300,00 passaram a perder vendas para marcas nacionais que pelo mesmo valor ofereciam 3 diferentes produtos.

Mesmo com todo momento turbulento da economia, o mercado de suplementos alimentares no Brasil avança na casa dos dois dígitos já tem algum tempo. Veja no quadro comparativo abaixo as informações baseadas em dados fornecidos pela ABENUTRI e consolidadas pela equipe de marketing da Nutribrands, uma das principais importadoras de suplementos alimentares do Brasil:

Os números são convidativos e ao mesmo tempo impulsionados por uma série de fatores, mas diríamos que uma das principais é a busca dos brasileiros por uma vida mais saudável. Uma pesquisa divulgada pela FIESP-SP em Maio de 2018 foi realizada com 3 mil pessoas de idade superior a 16 anos e que residiam em 12 regiões metropolitanas brasileiras. Um dos indicadores apontou que 71% dos entrevistados se esforçam para consumir produtos saudáveis, mesmo que tenham de pagar mais caro por isso.

Um outro dado publicado no site da Forbes dos Estados Unidos destaca a Geração Z representando 23% da população americana e contribuindo de forma pro-ativa para a saúde e bem-estar. Eles são digitais e encaram a tecnologia como indispensável e divertida. Esses jovens consumidores estão aprendendo sobre o que é saudável com seus pais e com a escola. Eles estão envolvidos com a tecnologia em todas as partes da vida cotidiana. Fora da família direta, a Geração Z tem mais probabilidade do que todas as outras gerações de procurar conselhos sobre saúde e bem-estar em redes sociais e são fortemente influenciados pelos digital influencers, os famosos formadores de opinião que compartilham experiências com produtos e serviços.

Em resumo, ainda tem muita coisa para revolucionar nesta indústria do bem-estar brasileira. Novas marcas e conceitos em produtos surgem para fomentar o mercado, mas a inovação só tem sustentação quando amparada por empresas de planejamento estratégico direcionado, oferecendo o produto corretamente ao seu público-alvo.

Uma das marcas mais inovadoras do mercado de suplementos alimentares no Brasil, a americana Arnold Nutrition lançou 18 novos produtos em 2017 apostando numa retomada forte do consumidor em produtos premium. Outra marca americana que foi sucesso no Brasil nos anos 2000 está voltando forte em parceria com o maior distribuidor de suplementos da América Latina. A WorldSize, que fez muito sucesso nos EUA e Brasil, estará voltando em 2018 em parceria com a CR Nutrition, oferecendo uma linha ampla e moderna de suplementos alimentares.

Sempre tem espaço para o crescimento, pois o consumidor tem despertamento para novidades, mas desde que sejam sustentáveis e tragam boa relação custo e benefício. Os hipermercados estão sendo abertos a produtos nutracêuticos. De forma inédita, a paranaense Rede de Supermercados Condor, uma das maiores do Brasil, cadastrou o produto Vivamil em suas lojas. Foi a primeira vez no Brasil que um mercado de grande porte vende esse tipo de produto, pois ao contrário das latas de energéticos são comprimidos e shots.

Em Curitiba, PR, Vivamil e Rede Condor marcaram pioneirismo em oferecer uma linha de energéticos em comprimidos e shots como produtos de impulso.

Embora nos EUA esse tipo de produto seja comum, aqui ainda é novidade, todavia nos faz acreditar que aos poucos tudo está caminhando para uma outra realidade. O sucesso do mercado de suplementos alimentares ocorrerá quando os fornecedores tiverem perfeita sinergia com os revendedores, uma vez que ainda há resistência por parte de atacado e varejo. Essa resistência se dá pela venda ilegal de suplementos importados feitas no mercado paralelo, baixo número de pessoas que consomem produtos nutracêuticos e situação econômica conjuntural do país.

O Brasil é assim, sempre uma terra de oportunidades, mas sempre com desafios ao empreendedor em lançar, inovar e sustentar seus produtos. A indústria do bem-estar está andando em passos largos e quando menos percebermos estaremos envolvidos consumindo produtos saudáveis, adotando novos costumes e pensando na longevidade.

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